“A vida é uma escalada. Mas a vista é maravilhosa” (de: Hannah Montana – o filme).
Tá, o filme foi feito para o público adolescente e eu já passei desta fase há alguns aninhos. Mas adoro o álibi de ter sobrinhos... com eles você pode matar a vontade de andar de trenzinho pela cidade, dar pão para os patos na lagoinha da sua cidade, brincar do parque de diversões, ir ao zoológico, jogar bola, videogame etc., sem ninguém vir dizer que você já está muito grandinho pra isto. Enfim, eu assisto SIM a seriados e filmes voltados ao público infantil e adolescente – mas só porque tenho sobrinhos viu?! (Segredinho: Adoro!)
Enfim, depois que assisti ao filme mencionado ali em cima e escutei a música “The Climb” (Miley Cyrus) prestando atenção à letra e ao significado daquilo, aplicando-o à minha própria vida e forma de pensar, por algum tempo esta frase ficou martelando na minha cabeça.
Mas hoje me deparei com uma resposta de mim para mim mesma: Não.
Não???
É! ... Não necessariamente.
Há alguns cumes de montanhas que são tão importantes para nós, que não nos permitimos perder o foco um só minuto para simplesmente notar que ali há uma vista. Neste caso, para quem o único objetivo em mente é chegar ao topo e, portanto, está escalando a todo vapor (com avidez, com pressa, com determinação imbatível) esta vista simplesmente não existe.
Quem tem pressa de chegar a algum lugar (a qualquer custo), perde a beleza do caminho. Porque precisa observar cada detalhe da montanha que está escalando e de seu próprio corpo, seus movimentos... Cada pedrinha ali pode fazê-lo escorregar e perder toda uma caminhada que já foi feita até então. Por isto é precisa muita atenção. Não se pode perder o foco. Um pedaço de rocha sobressalente ou uma fenda na qual a ponta do pé pode se encaixar pode servir como o próximo degrau. Não, você não pode desviar o olhar da montanha que está ali na sua frente, na qual você está grudado e não pode se soltar. Oras – há risco de morte!
Você tem tanta certeza do que está fazendo, se preparou tão bem para aquilo, foram tantas aulas dedicadas a aprender os detalhes implicados no sucesso ou fracasso total de uma escalada, que possui a certeza de que, se continuar trabalhando com a mesma garra com que se manteve até o momento, a chegada ao topo é garantida. Só depende de você. Só depende do seu esforço, da sua capacidade, da sua habilidade em driblar as adversidades, da energia que você está disposto a despender ali naquele projeto.
Mas lembra daquela pedrinha minúscula que podia rolar por debaixo de seus pés e comprometer todo seu resultado até então? Pois é... A existência dela não depende da sua vontade, capacidade ou determinação. Só depende do acaso. Você pode pensar: “Tá, mas se eu for mesmo muito bom nisso, eu vou evitar todas as possíveis pedrinhas, me agarrarei somente naqueles pedaços de rocha em que eu sentir muita firmeza e meu equipamento é tão bom que também vai me garantir segurança total (a propósito, tenho medo de palavras absolutas, como total, único, sempre, nunca...). Ok, você quase me convenceu nestes argumentos e quase provou que está muito bem preparado para lidar com as possíveis pedrinhas.
Mas... E se de repente começa a chover? Uma chuva muito forte, cheia de relâmpagos e trovões?
Tudo bem, você não tem medo de água mesmo e na verdade adora tomar banho de chuva, porque acha que lava a alma e naquele momento pode ser até revigorante.
Mas... A rocha pode ficar escorregadia, certo?! Ah... seus sapatos e luvas são próprios para isto? Ótimo! Mais uma vez você demonstrou estar muito bem equipado para esta escalada. Pensou em tudo, cada minúcia antes de começá-la. Parabéns pela cautela.
Mas... E se de repente começa uma tempestade de vento? Seus braços já estão meio cansados de escalar, e pode ficar difícil se manter firme agarrado à rocha sem ser levado pelas rajadas.
E se algum animal te encontra no meio do caminho? E se alguma pedra grande vem rolando na sua direção? E se o sol estiver forte demais e você sentir uma tontura? E se você não conseguir manter o ritmo previsto e escurecer antes de você chegar ao topo? E se você se sentir debilitado, com uma gripe ou dor de barriga chegando bem ali naquela hora? E se você se sentir tão cansado, sem energia, que não consegue mais seguir em frente?! E se acontecer algo tão bizarro, tão improvável (a noção de probabilidade carrega um perigo consigo, porque mesmo coisas extremamente improváveis são possíveis, ainda assim), algo tão inimaginável que nem você previu antes de começar a escalada, nem eu consigo pensar agora?
Seria possível se prevenir contra isto tudo com 100% de certeza de sucesso? Você – bem preparado que está – provavelmente vai dizer que consultou a previsão do tempo, se certificou de estar utilizando o último equipamento lançado no mercado, da mais alta tecnologia, além de ter realizado um trabalho consistente até então para estar com a saúde nas mais perfeitas condições, foram muitas horas de malhação para estar com os braços e pernas fortes, resistentes e o condicionamento físico em perfeito estado etc. Isto é bom. Você acredita em você. E no seu potencial. Isto é realmente muito bom. Você só está deixando de considerar que nem tudo está de fato sob seu total controle e que, em algum momento, qualquer uma dessas medidas preventivas pode falhar.
É, no mínimo, prepotência/arrogância (escolha o que achar melhor) pensar que todas as pedrinhas serão enxergadas a tempo de ser evitadas e as condições climáticas e de seu organismo estão sob seu controle, dependendo apenas da sua capacidade de lidar com tudo isto. E são tantos detalhes, tantas coisas das quais você não pode perder um segundo sequer de atenção, que realmente isto torna muito mais difícil manter o controle sobre tudo.
Mas a sua determinação é imbatível. Eu sei que é. Você vai dar tudo o que puder de si para chegar ao cume sem sucumbir, passando por tudo isto. Não tenho dúvidas de que vai. Mas ainda assim a chegada não é certa. Você pode chegar. Como pode não chegar, precisar desistir, voltar atrás, mudar a rota, escolher um outro caminho, ou (quem sabe?) inclusive mudar de topo-alvo.
O ponto é que, enquanto você estava escalando, você poderia ter olhado ao menos algumas vezes para a vista à sua volta. Se tivesse tirado os olhos do cume por apenas alguns segundos que fossem, poderia ter notado o quanto o lugar era lindo, a brisa era fresca, o som dos pássaros ecoava e a escalada poderia ter se tornado prazerosa, em vez de árdua, dura, penosa. E você poderia chegar ao topo, ainda assim. Ou não. Porque novamente não dependeria apenas de você e de todo seu esforço.
Então qual a diferença? Qual a vantagem em adotar uma postura? Se dos dois jeitos eu posso chegar ao topo mesmo, ou não chegar, porque eu deveria escolher uma atitude e não a outra? Qual a melhor delas? Eu também não sei. Não sei qual seria melhor pra você. Porque acredito que caiba a cada um de nós escolher como vai escalar, porque para alguns o que importa mesmo é só chegar (contando com a ilusória garantia da chegada). Para outros, o trajeto em si pode fazer toda a diferença.
Aliás, se eu apreciar a vista enquanto tento chegar a um topo escolhido, posso perceber que ali do lado tem uma outra montanha com um topo muito melhor para mim, pelo menos para aquele momento. E, assim, humildemente, perceber que posso ter escolhido o topo errado, ou que ainda não estou preparado para aquela montanha, e preciso praticar um pouco mais em outras primeiro e, desta forma, aquela escalada ali que, no meu julgamento inicial, era definitiva ou pelo menos imprescindível para minha vida, talvez nem fosse tão importante assim. Pelo menos talvez não naquele momento.
Para pensar nas eleições...
Há 15 anos
Pri, já sei! Este texto é parte daquele projeto livro de auto-ajuda? rs
ResponderExcluirEu diria tudo isso assim:
"Trace seus objetivos, faça um planejamento e se prepare para executá-lo. Fique atento às adversidades, pronto para replanejar suas atidudes e estratégias em função dos possíveis imprevistos. Faça tudo de maneira prazerosa. Isso não garante seu sucesso mas diminui as chances de você se foder. Caso venha a se foder, pelo menos teve um pouco de prazer."
Deve ser por isso que eu não sirvo pra escrever livro de auto ajuda né? rsrs
Beijão
Huahauhauhauhuaahua... Pois é, acho que eu vou ganhar mais dinheiro do que vc com isso... =P Mas, se depois de ler tudo o q eu escrevi, vc conseguiu sintetizar assim, tá bom! Quer dizer que sou uma boa futura escritora de livro de auto ajuda! huahuhuhauhauaha Bjo
ResponderExcluirOi Priscila...
ResponderExcluirBom... Não sei se o objetivo é escrever um livro, mas se for... tá no caminho certo. Adorei
Parabéns.
Grande beijo.
Obrigada, Roberto! Por enquanto a ideia é simplesmente ter um lugar pra falar o que eu penso e tornar concretas e registradas algumas das minhas reflexões... mas se algum dia elas acabarem em um livro, ficarei muito feliz em ter leitores gentis como vc. Passe sempre por aqui! =) Abraços
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